sexta-feira, 23 de abril de 2010

16º.Almoço em Mangualde



Restaurante o Ermitão onde se realizou o almoço


Capela de Nossa Senhora do Castelo



Bolo Comemorativo




Igreja onde foi realizada a missa


Outro grupo de participantes



Alguns dos participantes do almoço




Amigos realizou-se o nosso 16º.almoço na bonita cidade de Mangualde. Foi bom, mais uma vez, rever os nossos ex-camaradas e muito especialmente aqueles que nunca haviam assistido a nenhum. É o caso dos ex-camaradas da 2309, Eduardo Ribeiro da Régua e Vitor Cirilo de Almeida que vieram pela primeira vez. Espero que futuramente eles continuem a aparecer nestes encontros. Junto a fotografia da Companhia 2309, esperando que me cheguem as fotos das restantes companhias.


Na foto presente faltam duas pessoas que embora presentes no convívio, estavam "desenfiados" no momento em que tirámos a fotografia, mas para que conste são eles, o Joaquim Pereira (Menino Jesus) e o Tomé Diniz.

Também faltaram alguns que normalmente estão presentes que é o caso do ex-alferes Pereira e do Leiria

Foi sugerido pelo nosso ex-camarada Eduardo Ribeiro, que tal um próximo almoço a bordo de um barco entre a Régua e o Pinhão?

Vamos pensar no assunto e no próximo almoço que se irá realizar na zona de Mira d"Aire voltaremos a falar no assunto.
Quero agradecer ao meu amigo Leonel Carvalho e sua esposa a forma como nos receberam em sua casa e nos proporcionaram um belo almoço na companhia do Eduardo Ribeiro e esposa. seguinte

sábado, 6 de março de 2010

16º. Almoço-Mangualde


Pois é meus amigos. É já no próximo dia 17 de Abril de 2010 que se vai realizar o nosso 16º. Almoço. Tal como havia sido anunciado durante o 15º. este ano o evento vai ser na bonita cidade de Mangualde e a iniciativa é do nosso ex-camarada António Manuel Fernandes Costa.


Espero que compareçam em massa, para festejarmos o 40º. ano da nossa chegada de Angola.


Se algum dos camaradas que vê este blogue e não recebe correspondência o contacto do nosso colega Costa é : Telef. Casa 232623590 e o Telem. 963834694.


Ficamos á vossa espera


Um abraço do Catalo

domingo, 3 de janeiro de 2010

C.CAÇ 2310

Helicóptero fazendo o reabastecimento de rações de combate durante uma operação militar

Esperando a chegada dos elementos do novo batalhão que nos vinham render e que nós chamávamos "maçaricos" isto por serem novos.
Após a caçada há que tirar a pele ao animal, neste caso um veado.
Trabalhadores (oriundos do sul de Angola a que chamávamos bailundos) da Fazenda Bombo levantando as ossadas de ex-camaradas que estiveram nesta zona para poderem ser entregues aos familiares.
Atravessamento de um rio durante uma operação militar. Esta situação era recorrente uma vez que estávamos numa zona em que havia muitos cursos de água.

O nosso desembarque em Lisboa onde os nossos familiares nos esperavam.

Paquete "Pátria" a ser rebocado para o cais de Alcântara onde o mesmo atracou após a nossa chegada de Angola.
Quartel e Sanzala de Cambamba onde estava estacionada a Companhia de Caçadores 2311. Se alguém se lembra ou ouviu falar foi uma zona onde nos princípios da guerra esteve o famigerado Tenente Robles (hoje deve ser Coronel) que por acaso foi 2º Comandante de Instrução em Tavira.
Avioneta DO (dornier) na pista do Mucondo. Este meio de transporte servia para acompanhar as deslocações feitas por nós em terra quando as tropas estavam em operações e nele viajavam normalmente o comandante e major de operações do batalhão que organizava as mesmas.

Recepção de boas-vindas com música e cantares. O tocador de acordeão é o nosso camarada, Furriel Miliciano Figueiras, natural da Ilha da Madeira.
Chegada do M.V.L. que trazia os "maçaricos" para nos renderem
Protecção dos trabalhadores da Fazenda Bela Vista, cortando capim numa baixa muito perigosa antes de chegar à fazenda para quem vai do Mucondo

Secção do Furriel Miliciano Coelho-Da esq.para a Dta. Soeiro, Furriel Coelho, Nunes, Henriques, Afonso, Carneiro e Martins
Capela com a urna de um camarada, morto em combate, em 4 de Outubro de 68 o seu nome era Joaquim de Jesus Pinto.

Entrada do Quartel

Edificio do Comando da Companhia de Caç. 2310

Paquete "QUANZA" á sua chegada ao porto de Luanda
Desfile de regresso ao quartel
Formatura do Batalhão antes da partida para AngolaPanorâmica do Campo Militar de Santa Margarida
Capela de Santa Margarida
Fotos enviadas pelo nosso camarada José Joaquim Afonso. Só com estas contribuições pode o nosso Blogue ser grande.Obrigado companheiro.








Amigos e ex-camaradas espero que tivessem passado um bom Natal e que o Novo Ano lhes traga tudo de bom.
Quando criei este Blog pedia a todos os ex-camaradas que colaborassem no seu enriquecimento enviando fotografias ou outros documentos. Chegaram-me hoje algumas fotografias enviadas pelo nosso ex-camarada Manuel Branco da Companhia 2310, sediada no Mucondo.







Para que o Blog não fosse apenas um álbum de fotografias pessoais, seria conveniente que envolvesse o maior número de pessoas, isto é, fotografias da qual fizessem parte outros camaradas. Gostaria que neste caso se fizesse referência aos nomes constantes da mesma. Se forem outro tipo de fotografias que as mesmas fossem legendadas para sabermos todos onde foi tirada e o que representa (ex.almoço de...). Este é um espaço de todos nós e por isso todos podem colaborar quer através de comentários neste Blog quer no envio de outras coisas, inclusivé de histórias passadas por vós.



Ácerca disto, gostaria de agradecer ao nosso ex-camarada José Joaquim Afonso não só a assiduidade demonstrada na consulta atenta deste Blog como do apoio e incentivos dados. O meu obrigado -Catalo



sexta-feira, 6 de novembro de 2009

CURIOSIDADES


Painel que tenho na minha arrecadação com alguns cartazes e recordações dos almoços e da guerra.




Esta rúbrica tem por finalidade descrever assuntos de interesse geral.






Para começar, vou lembrar o nosso "QUANZA" e duas pessoas que fizeram parte do nosso Batalhão mas que infelizmente já não se encontram entre nós.






O Quanza era um barco aparentemente bom mas infelizmente com falta de condições para o transporte de tantas pessoas. Quem mais sofreu foram os soldados pois estavam instalados nos porões com muita falta de luz e de ar, por isso diariamente havia necessidade de trazer para o convés alguns dos nossos homens para que pudessem apanhar ar e sol, pois se não o fizéssemos corriam riscos de saúde.




Das duas pessoas, uma foi o António Palolo um dos grandes pintores portugueses. Pertenceu à CCS do nosso Batalhão. Embora não tenha nenhuma em poder, ele pintou algumas sementes(de uma árvore africana da qual eu não sei o nome) que eu ofereci a algumas madrinhas de guerra. Nunca tive muita confiança com o António Palolo mas através do meu amigo Manuel Ferreira do Pelotão de Morteiros ele fez o favor de pintar as ditas sementes.

A outra pessoa era o Alferes António Silveira da Companhia de Caçadores 2309 que já depois da nossa chegada publicou um livro cujo título é "Morto em Combate" que segundo alguns eu faço parte das personagens desse livro.
















António Palolo é um artista de quem pouco se fala, quase nada se escreve e raramente se expõe. Em Portugal há um vazio de crítica e de história de arte que permite estes exemplos de grandes artistas acerca dos quais pouco ou nada se diz. António Palolo morreu cedo em 2000, com 54 anos e deixou atrás de si uma obra desigual que reflecte o seu carácter insaciável. Artista autodidacta nascido em Évora, pulou a vida toda de fase em fase. A necessidade de experimentar será talvez a característica mais marcante do seu trabalho, que acompanhou diferentes movimentos artísticos, passando do informalismo para a transvanguarda, pela arte-pop, pelo abstraccionismo geométrico até à arte conceptual. Num jogo contínuo que estabelece com o olhar, Palolo propõe um sistema integrado de formas orgânicas com estruturas geométricas. Sem nunca abandonar o seu reconhecido apelo ao sensorial do Homem, ele pretendeu conhecer a arte tanto quanto pretendeu conhecer-se como artista. Os dados e a pintura foram extraídos da NET.




domingo, 11 de outubro de 2009

CAPULO




O Capulo era uma área pertencente à fazenda Tentativa (se não estou em erro)mas que apenas se dedicava á exploração do sal, visto ficar muito perto do mar.
Era um destacamento que não tinha luz eléctrica e por isso a nossa iluminação nocturna era feita por petromax. O resultado era de que diariamente se partiam vidros que teriam de ser substituídos mas que o o responsável da minha companhia, Capitão Ramalho, queria que fosse eu a pagar, retirando estas verbas da alimentação dos meus homens. Mais um problema que eu tive e por isso sempre que eu tinha necessidade de material para beneficio do destacamento pedia ao Major Costa e Silva.

Neste destacamento, (situado a poucos Kilómetros do Ambriz)constituído por uma grande casa colonial com vista para as salinas e para o mar, não tinha casa de banho, nem água canalizada(o que nos obrigava a ir a um poço que estava um pouco distante da casa, duas vezes ou mais buscar água com auto-tanque correndo os riscos próprios de uma zona de guerra)nem luz como referi ao princípio.
Conseguimos fazer uma ligação de água do poço para um depósito existente no telhado da casa, o mesmo foi testado mas quando fui rendido ainda não tinha o motor que fazia a captação da água para um depósito intermédio, uma vez que devido ao declive existente a água corria directamente para o depósito. Em relação á casa de banho a mesma foi construida no local onde estava o posto de rádio, instalando o posto de rádio noutro local.
Em relação à luz eléctrica esperávamos uma peça que teria de ir de Lisboa para que o gerador existente mas abandonado pudesse funcionar.
Não posso de deixar de realçar que é, o de não termos tido qualquer problema durante esta nossa missão neste destacamento o mesmo não acontecendo ao batalhão que nos foi render.
Também aqui não deixei de ter mais um caso sendo obrigado a apresentar-me no comando para me justificar.
Eu não gostava que saissem à noite para caçar, ( embora não sendo eu o comandante do pelotão,na falta deste e como o mais velho assumia o seu comando). Acontece que tinha dois Furrieis comigo na altura, Moita da Cruz e Tranquada que tanto me aborreceram que eu acabei por autorizar, companheiros para a caça não faltavam pois havia muitos voluntários. Cerca das 3 horas da manhã sou acordado com tiros vindos do exterior, pensei que estava a ser atacado e com homens na rua, mas com meu espanto vejo os homens que foram á caça eufóricos pois haviam morto 3 pacaças(assemelham-se a vacas). Fiquei muito preocupado e aborrecido pois não sabia o que fazer a tanta carne, uma vez que só tinha duas arcas frigoríficas para ter congelados para 30 homens. O resultado foi ter obrigado os "caçadores" a levarem duas das pacaças ao Ambriz, uma para a CCS e outra para a minha Companhia.
O Comando teve conhecimento e mandou avisar o posto de controle do Capulo/Ambriz que me devia apresentar no comando.
Sempre com a sorte do costume sou recebido pelo 2º Comandante Sr. Major Costa e Silva que me passou um correctivo,( note-se que havia uma norma imanada pelo Governador Geral de Angola de que era proíbido caçar para não acabar com as espécies), e recomendando-me o seguinte:
Se o nosso Comandante te chamar diz que foste á lenha e que as pacaças atacaram a viatura. Nunca cheguei a ser chamado.

LOGE




















Esta jangada servia para transportar pessoas e veículos da margem do Ambriz para a margem da Fazenda do Loge. No meu tempo, apenas era usada por veículos da fazenda e as nossas próprias viaturas. Já que havia sido construida uma estrada alcatroada para Ambrizete,passado por Freitas Morna.




































A Fazenda do Loge tinha esta denominação por estar situada junto ao rio com o mesmo nome.Era uma fazenda que pertencia à Sociedade Agricola do Cassequel, uma das grandes empresas pertencentes ao Grupo Espirito Santo em Angola.
Esta fazenda era importante porque além da fábrica de descasque do fruto da palmeira produzia também o óleo de dêm-dêm destinado a alimentação. Era importante também porque faziam a criação de gado. Lembra-me de uma vez um avião de grande porte tipo Nord Atlas ter transportado um casal de bois cuja raça não me lembra mas que têm uma corcova no cachaço. Eram dois belos animais que se destinavam a fazer criação.

A fazenda era tão grande que dava perfeitamente para um avião do tipo Nord Atlas poder aterrar sem dificuldade.
Periodicamente este gado eram desinfectado, para isso existiam tanques cheios de água com o produto por onde passavam os animais. Depois ficavam recolhidos num local, antes de irem para as pastagens.
Pastagens não faltavam como é natural. Esta fazenda tinha uma população branca que vivia dentro da fazenda, no entanto fora da mesma havia uma Sanzala com bastantes pessoas.

Havia também trabalhadores (bailundos)vindos do Sul de Angola para tarefas sazonais. tal como aqui, a maioria dos trabalhadores que laboravam nas fazendas do café vinham anualmente do Sul de Angola.
Houve duas coisas que me aconteceram nesta fazenda, uma foi a de ter aprendido a conduzir, pois tinha viaturas à minha disposição e não havia o perigo de bater, uma vez que eu ia apreender para um local da fazenda onde não havia vegetação e era uma grande pista, pois após o período das chuvas ficavam grandes extensões de terra que secava e fazia grandes áreas secas.

A outra foi o ter-me sido levantado um processo disciplinar(que não teve consequências graças a uma pessoa que sempre me apoiou, o Sr. Major Costa e Silva, 2º. Comandante do Batalhão) porquê? porque eu autorizei a venda, na cantina da tropa, de cerveja mais barata de que o Gerente da fazenda vendia, isto é, eu vendia a 2$50 e na cantina da fazenda

eram vendidas a 7$50 o resultado foi o Sr. Engenheiro ter feito queixa de mim e logo a nível da Região Militar de Angola e não ao nivel de Batalhão como deveria ter sido feito.
Foi muito bom termos estado neste destacamento mas com alguns sobresaltos não de guerra mas administrativos. Porquê? porque eu tive sempre a mania(chamavam-me o furriel "reguila")porque eu sempre gostei de comer bem e por conseguinte gostava que os que estavam comigo comessem bem também. Fazia ementas diárias sempre diferentes só que ao fim da 2ª. semana já estava com saldo negativo(tinha 20$50 para dar de comer a cada homem). O Sr. Major que tinha ido fazer uma auditoria ao destacamento avisou-me que se eu continuasse assim teria de repôr o dinheiro em falta. Resultado, eu que não gostava que fossem à caça autorizei que o fizessem de modo a eu edireitar as contas. O resultado foi bom porque depois já sobrava dinheiro que semanalmente era gasto na compra de camarão para passarmos a tarde de domingo. Atenção que as bebidas eram da responsabilidade de cada um de nós.

As contas foram de tal maneira organizadas que até nos dávamos ao luxo de comer leitão assado confeccionado pelo nosso cabo cozinheiro Abreu.